quarta-feira, 6 de abril de 2016

7 coisas que especialistas em Síndrome do Pânico gostariam que você soubesse

Cerca de 4% da população do Brasil sofre do transtorno e as crises são realmente violentas.

1. Quando você tem uma crise é como se você fosse morrer.

Quando você tem uma crise é como se você fosse morrer.
A síndrome do pânico é um “transtorno de ansiedade que se dá por meio de crises severas sem motivo aparente e duram, em média, entre 20 e 40 minutos”, explica ao BuzzFeed Brasil a psicoterapeuta Marina Boccalandro, professora da PUC-SP e autora do livro “Transtorno de Ansiedade e Síndrome do Pânico - Uma Visão Multidisciplinar”.
A comunidade médica brasileira entende o transtorno, como deve ser chamado apesar de ser popularmente conhecido como síndrome. Mariana explica que ele “afeta os três corpos: o físico, o mental e o emocional”, e conta com uma quantidade significativa de sintomas.
Fisicamente, pode ocorrer taquicardia, respiração acelerada ou falta de ar, sudorese, problemas de visão embaralhada, dores de barriga, tremores, mãos e pés frios e boca seca. “Esses são os sintomas mais comuns, mas podem existir muitos outros”, diz Marina.
O professor de psicologia da Universidade Presbiteriana Mackenzie, Aurélio Melo, afirma que é comum “muitos pacientes relatarem que sentem que vão morrer” durante a crise, o que acaba afetando o emocional. “Muitos inclusive acabam procurando um hospital por achar que estão sofrendo um ataque cardíaco”, diz.

2. O pânico surge de forma completamente inesperada e toma conta de você.

O pânico surge de forma completamente inesperada e toma conta de você.
O psiquiatra Felipe Corchs, do Programa de Ansiedade do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, afirmou em entrevista ao BuzzFeed Brasil que o que caracteriza o transtorno do pânico, além dos sintomas, é rapidez com que se dão as crises.
“Elas ocorrem de forma inesperada, é um medo muito intenso que ocorre sem motivo específico e de forma muito abrupta. Não é como se você estivesse em um dia ruim e como o acumulo do estresse diário tivesse uma crise. Ela vem do nada”, diz Felipe.
Assim como Marina, o psiquiatra afirma que a crise dura em média 40 minutos, mas ressalta que “como na maioria dos casos de doenças mentais, existem muitas variações”.

3. O transtorno é mais comum entre as mulheres e atinge cerca de 4% da população brasileira.

O transtorno é mais comum entre as mulheres e atinge cerca de 4% da população brasileira.
Segundo Marina, a Academia Paulista de Psicologia, associação do qual é membro, trabalha com a “estimativa de que 4% da população brasileira sofra de transtorno de pânico”.
Ela aponta ainda que as crises são mais comum entre “mulheres na adolescência e entre 35 e 40 anos. “Mas atualmente vemos que têm começado mais cedo, chegando até a crianças e também em idosos”, diz.
Aurélio observa porém que no geral, os homens não buscam ajuda médica. “A gente observa que a procura maior é de mulheres, porém as as mulheres de forma geral procuram ajuda para tudo mais cedo. O homem vai ao médico na urgência e tardiamente”, explica.

4. Não existe um motivo definitivo para alguém desenvolver transtorno de pânico.

Não existe um motivo definitivo para alguém desenvolver transtorno de pânico.
Felipe explica que existem um infinidade de possibilidades. “Isso ainda é muito estudado, alguns acreditam que pode ser genético, outros de que aconteçam a partir de traumas de infância, alguns da combinação disso”, diz, completando que os especialistas ainda não tem certeza de nada. “O que sabemos é que existe um envolvimento pesado dos sistemas cerebrais de defesa, aquele que controla o medo. Mas não sabemos o que o dispara”, diz o psiquiatra.
Segundo Marina, o transtorno pode ocorrer devido a diversos fatores. “Há mais chances de que pessoas que tenham casos na família possam desenvolver o transtorno, mas também o uso de drogas, problemas de abuso na infância, trauma no nascimento, e situações de estresse acentuado como afogamento, por exemplo”.

5. Não necessariamente existe um gatilho para as crises e em alguns casos os pacientes desenvolvem agorafobia.

Não necessariamente existe um gatilho para as crises e em alguns casos os pacientes desenvolvem agorafobia.
“Logo nas primeiras crises a pessoas começa a associá-la ao que estava fazendo, então ela condiciona a crise à algo”, diz Felipe. Ou seja, não são as situações que levam às crises. Marina completa. “É uma consequência da crise caso não se trate logo no começo. A pessoa tende a se isolar, deixa de trabalhar, estudar, se afasta das pessoas porque associam situações às crises”, diz.
Essa situação de isolamento pode se tornar a chamada agorafobia. “Muitos dos que sofrem do transtorno de pânico e não buscam o tratamento podem desenvolver agorafobia que é basicamente o medo de não poder fugir prontamente para o espaço em que se sente protegido, que é geralmente a sua casa”, diz o psiquiatra. Ele explica que estas pessoas até saem, mas sempre buscam uma rota de fuga. “Se vão ao cinema elas sentam próxima a porta, por exemplo”, aponta o psiquiatra.

6. O tratamento pode envolver terapia e/ou medicamentos.

O tratamento pode envolver terapia e/ou medicamentos.
Os especialistas ouvidos pelo BuzzFeed Brasil disseram que o tratamento pode envolver medicamentos e terapia. “Em geral o tratamento é composto por antidepressivos que são bastante seguros e, às vezes no começo, ansiolíticos, que são os remédios de tarja preta, mas por tempo limitado e com cuidado por conta do risco de dependência”, diz Felipe.
Aurélio ressalta a importância da terapia pelo fato do transtorno do pânico ser apenas uma das questões que a pessoa precisa trabalhar. “Dependendo do quadro, pode ser necessário mais terapia, ou mais medicamento. Vai da necessidade do paciente”.
Com relação à terapia, ele ainda lembra que algumas vezes o tratamento é mais curto, apenas para melhorar a questão das crises. “Mas muitas vezes o pânico é apenas a ponta do iceberg”, diz Aurélio.

7. O tratamento é mais efetivo com práticas complementares, como meditação, atividade física e alimentação saudável.

O tratamento é mais efetivo com práticas complementares, como meditação, atividade física e alimentação saudável.
Marina diz que trabalha também com outras práticas como “ensino de respiração, meditação, visualização, imaginação semi dirigida” e ressalta que em momentos de crise o mais básico é “trabalhar a respiração: inspirar profundamente e expirar com mais força ainda”, diz.
Felipe completa que “tudo que é saudável ajuda no tratamento psiquiátrico”. “Quase todos transtornos têm ligação com o estresse e maus hábitos cotidianos podem contribuir muito para a evolução das doenças mentais em geral, como falta de atividade física, luz solar, má alimentação e falta de sono. Cuidar disso tudo faz muita diferença no tratamento”, diz.
O psiquiatra faz uma ressalva no caso das atividades físicas. “É preciso cuidado e acompanhamento. Alguns sintomas ligados à prática de esporte se assemelham aos do pânico (sudorese, taquicardia e falta de ar)”.
fonte buzzfeed

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