segunda-feira, 25 de abril de 2016

Bombeiros sofrem com doenças relacionadas ao trabalho

O trabalho dos bombeiros militares do município do Rio de Janeiro pode afetar a saúde deles? Pode-se correlacionar às causas de afastamento médico dos trabalhadores as atribuições específicas de cada especialidade existente na instituição? Essas questões norteiam a dissertação de Luiz Antonio de Almeida no mestrado em Saúde Pública da Escola Nacional de Saúde Pública (Ensp/Fiocruz), sob a orientação do pesquisador Luiz Carlos Fadel de Vasconcellos e co-orientação de Renato José Bonfatti. O aluno, que é cabo bombeiro militar, partiu da hipótese de que a intensificação do trabalho da categoria e os anos de dedicação ao ofício colocam-se como fatores potenciais para o desenvolvimento de diversas doenças relacionadas às suas atividades. A pesquisa, num universo de 2.454 trabalhadores, identificou as cinco doenças mais detectadas nessa categoria. Em primeiro lugar, com 26 registros está a lombalgia com ciática, em segundo os transtornos de discos lombares e de outros discos intervertebrais com radiculopatia com 25 registros, em terceiro os transtornos internos de joelho com 18 registros, em quarto com 16 registros os episódios depressivos graves com sintomas psicóticos e, em último está a dor lombar baixa com 13 registros.


Segundo o aluno, a categoria desempenha ações de fundamental importância para a sociedade e o tema desse estudo ainda é pouco discutido pela academia. A atividade do trabalho dos bombeiros militares pode ser resumida na salvaguarda e defesa de vidas e bens em situações emergenciais e contingenciais. Durante o seu exercer laboral, os bombeiros estão expostos às cargas físicas, químicas, mecânicas, biológicas, fisiológicas e psíquicas.

O município do Rio de Janeiro, em 2015, possuía uma extensão territorial de 1.199,828 Km² e uma população estimada em de 6.476.631 habitantes. Na região, o Corpo de Bombeiros possui 25 unidades que totalizam, aproximadamente, 2.454 trabalhadores. Essas unidades de salvamento terrestres não especializadas situadas no município são divididas entre dois centros administrativos: o Comando de Bombeiro de Área I Capital (CBA-I Capital) composta por 14 unidades situadas nas Zonas Norte e Oeste com 1413 bombeiros; e o Comando de Bombeiro de Área X Capital II (CBA-X Capital II), com 11 unidades distribuídas pela região da Grande Tijuca, Centro e Zona Sul totalizando 1.041 bombeiros, aproximadamente.

No período analisado, as unidades juntas foram responsáveis por 51,5% de todos os atendimentos realizados no Estado, o equivalente a 173.532 atendimentos. A instituição divide seus atendimentos em três categorias: Incêndio, Salvamento e Atendimento Pré-Hospitalar (APH). Em 2015, dos atendimentos realizados no município, 134.906 foram APH, 30.696 foram na categoria de salvamento e 7.930 foram combate a incêndio. De acordo com o estudo, trabalham no serviço mais demandado pela população carioca aproximadamente 860 bombeiros.

No Centro de Perícias Médicas e Saúde Ocupacional da categoria houve um total de 16.898 registros de atendimentos médicos, resultando em 1.818 registros de afastamento médico para tratamento da saúde referente às 25 unidades estudadas. Essas ausências somam um total de 55.507 dias de afastamento do trabalho para tratamento, o que equivale a aproximadamente 152 anos. Ao dividir o total de dias de afastamentos pelo efetivo de 2.454 bombeiros do município, chega-se a aproximadamente 23 dias de afastamento para cada trabalhador.

A pesquisa também constatou que, a partir dos 30 anos de idade, um elevado crescimento no número de registros de afastamento do trabalho para tratamento da saúde. A faixa etária que mais apresentou registros foi a dos bombeiros entre 40 e 49 anos com um total de 641 registros.

O estudo concluiu que o conjunto formado pelo acúmulo de atividades, efetivo reduzido e grande demanda pelos serviços prestados pela instituição coloca-se como uma via potencial para o adoecimento dos bombeiros. “O amplo espectro de doenças encontradas nos bombeiros do município pode possuir relação direta com as atividades de trabalho desenvolvidas pela categoria. Por isso, considero que se faz necessária a reposição do efetivo, o enxugamento das atividades de trabalho e o estabelecimento de uma atenção à saúde com ênfase na prevenção”.

Luiz Antonio de Almeida é graduado em Serviço Social pela Universidade Federal do Rio de Janeiro (2011) e especialista em Direito e Saúde e em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana pela Escola Nacional de Saúde Pública Sergio Arouca. Atua como Cabo Bombeiro Militar do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Rio de Janeiro desde 2008. Foi pesquisador colaborador da linha de pesquisa Saúde, Trabalho e Direito e também da linha A Construção do SUS na perspectiva do Direito ambas do Departamento de Direitos Humanos, Saúde e Diversidade Cultural (Dihs/Ensp/Fiocruz). Atua como pesquisador no Projeto de Pesquisa “ A Atenção Psicossocial no Contexto de Pós Eventos Extremos no Brasil” do Centro de Estudos em Saúde do Trabalhador e Ecologia Humana.

fonte agencia.fiocruz

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