quarta-feira, 6 de abril de 2016

Servidora da Secretaria de Saúde homenageia enfermeiro morto no HRT, mais uma vítima da omissão do Estado


“Ai chega o dia em que essa pessoa precisa ser cuidada e o sistema ao qual ele se dedicou por tanto tempo lhe prega uma peça, apesar de todo o esforço das equipes que batalharam cada segundo para tentar manter seu sopro de vida, a falta de materiais, equipamentos, vagas em UTI, máquinas de dialise para situações de emergência e o pior,  a falta de uma medicação que poderia mudar seu prognóstico, medicação esta que não deve faltar em nenhum serviço de emergência, medicação esta que os colegas fizeram vaquinha e compraram uma caixa com 20 ampolas por 176 reais, mas foi tarde, essa demora em iniciar o tratamento agravou o quadro e o colega não resistiu.”
Tão triste quanto ver diariamente relatos e denúncias de servidores da Saúde, verdadeiros soldados que dão o suor, para travar a luta diária no desafio de salvar vidas em uma estrutura deliberadamente sucateada e sem recursos é ver esses batalhadores se tornarem vítimas do próprio sistema. Muitos sucumbem diariamente enquanto dedicam a vida à lidar com o desespero de pais e mães de famílias, de pacientes que precisam receber um atendimento na Rede Pública de Saúde.
Essa lógica que chega a ser podre, ver na Saúde uma máquina focada na realização de negócios escusos que os deixam os servidores a mercê das intempéries dos usuários. Isso por não ter, por parte do Estado, suporte o suficiente para oferecer um tratamento adequado às demandas da população enquanto mantém em contas poupanças e aplicações financeiras milhões em recursos que poderiam ser utilizados para aquisição de equipamentos, pagamentos de fornecedores e manutenção da Saúde Pública.
Essa lógica comercial de sucatear para justificar leva os servidores à conviverem em ambientes de extremo estresse, a ponto de colocarem suas carreiras em jogo para denunciar e pedir ajuda à imprensa, àqueles que, em última instância, lhes parecem ser o único caminho possível para garantir que pacientes recebam tratamentos e que possam trabalhar com condições mínimas. Com isso se expõem a sentirem o peso da mão do Estado, respondendo a processos administrativos, por causa da Lei da Mordaça que tenta impedir que esse trabalhador aponte erros, problemas e consiga para aquele paciente, a quem tem a missão e o dever de assistir, receba um tratamento digno.
Às vezes nessa dinâmica diária e caótica muitos servidores surtam. Em muitos casos, infeliz e tardiamente pois alguns desses trabalhadores sequer têm forças para buscar um novo norte com perspectivas de construir um novo futuro.
Mas nessa guerra, há um cenário mais grave e triste, àqueles que não desistem, que insistem e sucumbem em meio a dedicação diária de lutar contra o monstro sanguessuga do Estado que não mede esforços em minar e solidariamente ceifar vidas, sejam de pacientes ou daqueles que vivem em prol de salvá-las.
Ontem, 4 de abril, o enfermeiro Adalberto Manuel da Silva Passos, servidor do Hospital Regional de Taguatinga (HRT), sucumbiu. Um infarto e uma morte que  interrompeu 25 anos de tentativas e êxitos em  devolver a vida àqueles quer recorrem à Saúde Pública do DF em momentos de desespero.
O consolo, se é que existe algum, diante desse sentimento de impotência e a tristeza que abate sobre a família é saber que àqueles que viveram e conviveram com Adalberto, permanecem, lamentam mas não se calam em relação à omissão do Estado e têm coragem de mostrar o que está errado, trazer questionamentos e exigir mudanças.
Política Distrital teve acesso a uma carta à população escrita por uma servidora da Secretaria de Saúde do DF em que traz questionamentos importantes que toda população do DF deveria parar ao menos por um minuto para pensar profundamento a respeito. Isso porque as justificativas estão no discurso das soluções oferecidas, que estão mais que provados que são meras tentativas de comercializar e prover interesses aquém das necessidades reais da população.
O governo que aí está, após 22 meses, parece não ter compreendido os reais motivos dos votos da população depositados nas urnas do DF em 2014 para elegê-lo. Mais que isso, parece não ter se dado conta que a cada bala disparada por um marginal, a cada dose de remédio que falta, a cada equipamentos que não funciona para fazer um diagnóstico que poderia salvar a vida de uma pessoa é um gatilho puxado que se soma às penas do travesseiro que o governador recosta a cabeça para dormir todos os dias.
Carta a População
Carta a população de uma servidora da Secretaria de Saúde, em homenagem ao enfermeiro Adalberto do HRT, que faleceu no sistema de saúde que trabalhou por 25 anos.
Meus sentimentos a família aos colegas, que essa luta que ele passou não seja em vão! Que a população venha saber as atrocidades que está acontecendo no sistema público de saúde e se junte a todos os servidores para combater as OSs, que por ganância de desviar o dinheiro da saúde o governo insiste em empurrar para o DF. Todos sabemos nosso papel na divulgação de falta de insumos, pessoal e condições de trabalho. Cabe a cada servidor relatar o dia a dia em sua unidade de saúde. Vá com Deus, combateu o bom combate. Cumpriu sua missão!!! Que a pátria espiritual o receba!!
A pessoa dedica 25 anos de sua vida a cuidar de pessoas que nem conhece, entra ano e sai ano e vai fazendo o possível e o impossível para atender a população da melhor maneira, mesmo com todas dificuldades que a gestão do sistema de saúde acaba por depositar nas costas dos funcionários. Não satisfeito, abraça a causa de preparar novos profissionais para que a enfermagem do futuro tenha a mesma dedicação que a enfermagem de hoje e a essência da nossa profissão não se perca pelos corredores frios dos hospitais.
Ai chega o dia em que essa pessoa precisa ser cuidada e o sistema ao qual ele se dedicou por tanto tempo lhe prega uma peça, apesar de todo o esforço das equipes que batalharam cada segundo para tentar manter seu sopro de vida, a falta de materiais, equipamentos, vagas em UTI, máquinas de dialise para situações de emergência e o pior,  a falta de uma medicação que poderia mudar seu prognóstico, medicação esta que não deve faltar em nenhum serviço de emergência, medicação esta que os colegas fizeram vaquinha e compraram uma caixa com 20 ampolas por 176 reais, mas foi tarde, essa demora em iniciar o tratamento agravou o quadro e o colega não resistiu. 
Quantas e quantas pessoas morrem por falta de medicações, por falta de equipamentos, por falta de organização dos serviços de emergência??????
Triste ouvir o relato do colega que estava à beira do leito para ajudar nas tentativas de reanimação onde ele fala do sentimento que tomou conta das equipes, onde o médico chorava quando percebeu que não ia ser possível reverter a parada cardíaca…
Quem são os culpados????
Porque a saúde que tem tanto dinheiro direcionado para sua pasta é o pior serviço publico oferecido à população????
Qual o objetivo em sucatear os serviços de saúde????
Vai com Deus companheiro Adalberto, Deus o receba de braços abertos, sua missão foi cumprida,
Adeus!!!!
fonte politicadistrital


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