quinta-feira, 30 de março de 2017

Como é a nova escala de coma de Glasgow e qual a sua importância?

Entenda o que foi atualizado na nova escala de coma de Glasgow e como deve ser a sua utilização no Atendimento Pré-Hospitalar
A escala de coma de Glasgow é um método para definir o estado neurológico de pacientes com uma lesão cerebral aguda analisando seu nível de consciência. O uso desse recurso é frequente por profissionais de saúde logo após o trauma, para auxiliar no prognóstico da vítima e prever eventuais sequelas.
Apesar de ser muito utilizada atualmente, essa classificação de assistência é recente. Foi em 1974 que Graham Teasdale e Bryan J. Jennett (do Instituto de Ciências Neurológicas de Glasgow) publicaram oficialmente a escala na revista Lancet. O objetivo era fornecer uma metodologia de atendimento que apontasse tanto a profundidade do dano neurológico quanto a duração clínica de inconsciência e coma.
bQuarenta anos depois, Sir Graham Teasdale conduziu um projeto que procurou entender o atual uso dba escala e que foi incorporado nas novas diretrizes.

Para Erika Dornelas, enfermeira intensivista e emergencista com ampla experiência na área, o método é hoje uma necessidade na assistência em Enfermagem. “A escala de coma de Glasgow é essencial no Atendimento Pré-Hospitalar, pois é através dela que conseguimos mensurar o nível de consciência das vítimas de Trauma Crânio Encefálico. E a partir desses dados podemos traçar o tratamento que será dado para essa vítima”.

Coordenadora da pós-graduação de Enfermagem em Atendimento Pré-Hospitalar, a profissional também chama a atenção para os cuidados na utilização do recurso, que deve ser considerado somente para vítimas de Traumatismo Craniano e/ou com rebaixamentos neurológicos. ”O principal cuidado que o enfermeiro tem que ter é saber se a vítima está sobre efeito de qualquer tipo de sedação, pois assim não podemos utilizar a Escala de Coma de Glasgow. Outro fator importante é sempre valorizar e ter como padrão a melhor resposta, seja ela ocular, verbal ou motora”.

Para a aplicação adequada dos procedimentos, a profissional destaca dois fatores principais: muito estudo e prática. “A especialização é importante para direcionar e aprofundar mais o conhecimento. Tendo conhecimento, certamente o Enfermeiro saberá utilizar corretamente essa prática”.

Como é a escala de coma de Glasgow atualizada?

A escala considera três fatores principais e determina uma pontuação de acordo com o nível de consciência apontada em cada um desses casos (espontaneamente ou através de estímulo). São eles: Abertura ocular, Resposta verbal e Melhor resposta motora.

Todas as informações relatadas neste texto são baseadas nas orientações do site oficial da escala de Glasgow. Confira a página e o documento de classificação de assistência oficial GCS Aid em português para mais informações.

De acordo com essas determinações, as notas devem ser registradas ao longo do atendimento, para que possam indicar a progressão do paciente. Em todos os segmentos observados pelo profissional de saúde, a primeira opção é uma resposta normal do paciente (nota máxima na escala) e a última uma reação inexistente ou “Ausente” (nota 1). É preciso marcar “NT” na pontuação caso não seja possível obter resposta do paciente por conta de alguma limitação.

Ocular:

Espontânea: abre os olhos sem a necessidade de estímulo externo.

Ao som: abre os olhos quando é chamado.

À pressão: paciente abre os olhos após pressão na extremidade dos dedos (aumentando progressivamente a intensidade por 10 segundos).

Ausente: não abre os olhos, apesar de ser fisicamente capaz de abri-los.

Verbal:
Orientada: consegue responder adequadamente o nome, local e data.

Confusa: consegue conversar em frases, mas não responde corretamente as perguntas de nome, local e data.
Palavras: não consegue falar em frases, mas interage através de palavras isoladas.
Sons: somente produz gemidos.
Ausente: não produz sons, apesar de ser fisicamente capaz de realizá-los.

Motora:
À ordem: cumpre ordens de atividade motora (duas ações) como apertar a mão do profissional e colocar a língua para fora.

Localizadora: eleva a mão acima do nível da clavícula em uma tentativa de interromper o estímulo (durante o pinçamento do trapézio ou incisura supraorbitária).
Flexão normal: a mão não alcança a fonte do estímulo, mas há uma flexão rápida do braço ao nível do cotovelo e na direção externa ao corpo.

Flexão anormal: a mão não alcança a fonte do estímulo, mas há uma flexão lenta do braço na direção interna do corpo.

Extensão: há uma extensão do braço ao nível do cotovelo.

Ausente: não há resposta motora dos membros superiores e inferiores, apesar de o paciente ser fisicamente capaz de realizá-la.

4 passos para utilizar a escala de coma de Glasgow corretamente:
Verifique: Identifique fatores que podem interferir na capacidade de resposta do paciente. É importante considerar na sua avaliação se ele possui alguma limitação anterior ou devido ao ocorrido que o impede de reagir adequadamente naquele tópico (Ex: paciente surdo não poderá reagir normalmente ao estímulo verbal).

Observe: Observe o paciente e fique atento a qualquer comportamento espontâneo dentro dos três componentes da escala.

Estimule: Caso o paciente não aja espontaneamente nos tópicos da escala, é preciso estimular uma resposta. Aborde o paciente na ordem abaixo:

Estímulo sonoro: Peça (em tom de voz normal ou em voz alta) para que o paciente realize a ação desejada

Estímulo físico: Aplique pressão na extremidade dos dedos, trapézio ou incisura supraorbitária.

Pontue: Os estímulos que obtiveram a melhor resposta do paciente devem ser marcados em cada um dos três tópicos da escala. Se algum fator impede a vítima de realizar a tarefa, é marcado NT (Não testável). As respostas correspondem a uma pontuação que irá indicar, de forma simples e prática, a situação do paciente (Ex: O4, V2 e M1 significando respectivamente a nota para ocular, verbal e motora).

Essas reações devem ser anotadas periodicamente para possibilitar uma visão geral do progresso ou deterioração do estado neurológico do paciente.

O que mudou na escala de coma de Glasgow?

Estrutura: Na escala atualizada, as etapas de avaliação estão mais claras, dando maior ênfase nas pontuações individuais do que na soma total. De acordo com o site oficial, as mudanças foram baseadas na experiência de médicos e enfermeiros pelo mundo.
Nomenclatura: Apesar de manter o número de etapas na avaliação, alguns nomes foram alterados. Em vez de “abertura da dor”, é usado “pressão de abertura dos olhos” para que a natureza do estímulo seja registrada de forma mais precisa. A mudança também foi feita por conta da difícil definição de “dor” e pelo questionamento da necessidade ou até viabilidade dessa sensação no paciente em coma.

Também foi feita a simplificação dos termos “palavras inadequadas” e “sons incompreensíveis” para “palavras” e “sons”.

Resposta motora: Foi atualizada diferenciando a flexão “normal” e “anormal” para facilitar o prognóstico do paciente.

Estímulo: No primeiro documento publicado, não havia uma especificação sobre os tipos de estímulos. A escala possui atualmente a indicação de quais são adequados e em que ordem devem ser realizados no paciente.

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