Paciente com cerca de 300kg aguarda transferência hospitalar; HGV é acusado de alta precoce
Após uma queda, Bianka ficou 21 dias internada no Hospital Getúlio Vargas. Depois de receber alta, ela apresentou piora clínica, e agora necessita nova transferência hospitalar
Registro da locomoção de Bianka após a queda. A família pediu para que, em respeito ao sofrimento da paciente, seu corpo não fosse exposto. Foto: Arquivo pessoal
Registro da locomoção de Bianka após a queda. A família pediu para que, em respeito ao sofrimento da paciente, seu corpo não fosse exposto. 
“Estamos muito aflitos, muito preocupados”, desabafa Bruneldo, irmão de Bianka Melazzi, pernambucana com cerca de 300 quilos e um quadro de saúde grave, com complicações desencadeadas de uma queda em sua casa. Atualmente internada na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) de Jardim Paulista - após ter recebido alta do Hospital Getúlio Vargas (HGV) -, ela aguarda, sem previsão, o encaminhamento para uma clínica médica especializada. Sua família afirma que parte do atendimento médico realizado depois do acidente doméstico foi inapropriado e agravou sua condição física. Seu caso tem similaridades com o do paraibano Carlos Antônio dos Santos Freitas, o Carlinhos, que com 420kg foi internado para tratamento no Hospital das Clínicas de Pernambuco.
Foi afirmado pelo HGV que não há como transportar Bianka numa maca, mas a família afirma que o Corpo de Bombeiros realiza o transporte adequado. Foto: Arquivo pessoal
Foi afirmado pelo HGV que não há como transportar Bianka numa maca, mas a família afirma que o Corpo de Bombeiros realiza o transporte adequado. 
Com obesidade grau IV, Bianka, que desde criança sinalizava sobrepeso, sofre com diabetes, hipertensão e insuficiência respiratória. Também está com infecção urinária e impossibilitada de caminhar. “Uma equipe do Corpo de Bombeiros atendeu Bianka em casa. Ela estava caminhando com dificuldades quando caiu, e a queda acabou comprimindo seu corpo e piorando a situação respiratória”, relata o irmão. A dificuldade para caminhar antes da queda veio acompanhada de piora em sua dicção. Bruneldo também explica que, em adição aos problemas físicos, sua irmã tem déficit cognitivo e toma remédios controlados para ansiedade e saciar a fome.

Seu primeiro atendimento, após a locomoção realizada por equipe do Corpo de Bombeiros, foi na UPA de Jardim Paulista. Devido à gravidade do caso, logo no dia seguinte Bianka foi transferida para o Hospital Getúlio Vargas, localizado no bairro Cordeiro, onde permaneceu por 21 dias. Para o irmão, sua liberação foi precipitada. “Houve uma alta precoce de Bianka. Tanto que no caminho ela já passou mal. Ela foi levada num colchão, não numa maca, numa ambulância quente e sem o tubo de oxigênio. Foi um erro cometido com ela”, conta. A direção do HGV garante que a paciente só foi liberada após apresentar melhora clínica, e que durante o internamento recebeu toda a assistência necessária da equipe multidisciplinar da instituição. 

Ainda, segundo a Secretaria de Saúde do Estado, o transporte com o colchão foi realizado por ser a forma encontrada para remover a paciente “com segurança e o mínimo de conforto”, já que, por pesar cerca de 300 quilos, não existe na unidade – ou em serviços de resgate – maca que possa suportá-la. Bruneldo garante, no entanto, que o Corpo de Bombeiros consegue realizar o transporte adequado da irmã. “Por que não chamaram os bombeiros? Eles conseguem transportá-la corretamente.” Desde que deu entrada na Unidade de Pronto Atendimento, ela está consciente, mas precisa de equipamentos para auxiliar sua respiração. A expectativa – e maior dificuldade - da família é a transferência de Bianka Melazzi para um hospital que possibilite o tratamento da obesidade e das doenças associadas. 

Seu irmão aponta como referência o caso de Carlinhos, que hoje faz tratamento físico e psicológico para emagrecimento no Hospital das Clínicas da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE). “A gente indaga sobre a transferência e nos falam que agora não é possível, por isso estamos muito preocupados. A quadro de Bianka é muito grave, com muitos riscos. Gostaríamos que ela fosse tratada num hospital de referência como o Hospital das Clínicas, que aceitou Carlinhos. Por que não Bianka?”.  Em nota, a Secretaria de Saúde do Estado informa que o quadro de Bianka é estável e que ela já estava na própria residência quando presentou intercorrências e piora clínica. É apontado ainda que a transferência para um hospital de referência já foi requisitada e pode acontecer a qualquer momento.







fonte diário de pernanbuco