Vizinhos acusam Corpo de Bombeiros de atrasar em resgate  

As bolhas e as queimaduras nos pés do empresário Rafael Fernandes, 30, mostram o quão próximo ele chegou das chamas que consumiam a tapeçaria J.A., na madrugada de sábado, no São Vito, em Americana. Além dele, outros vizinhos também combateram o fogo na tentativa de salvar o tapeceiro Ailson Mariano Pereira, 38, que estava dentro da loja. Segundo os moradores, a força-tarefa foi necessária por conta da demora do Corpo de Bombeiros para crer na emergência e chegar até o local. Ailson não resistiu e morreu anteontem por complicações respiratórias após um dia internado na UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi.
Ouvidos pelo TODODIA, os vizinhos do tapeceiro reclamaram da descrença dos militares durante as ligações ao 193. "Eles falavam na ligação que não era horário de estar passando trote", afirmou a manicure Mônica Barreira, 28. A monitora escolar Fernanda Fernandes, 22, irmã de Rafael, disse que também ligou e que teve de convencer o atendente que se tratava de uma emergência. "Eles me perguntaram se realmente tinha alguém lá dentro", afirmou.
Eles afirmam que os militares demoraram de 20 a 30 minutos para chegarem até a Rua Chucri Zogbi. "Eu liguei era 2h58, porque eu acordei com ele gritando socorro. Os bombeiros foram chegar era 3h30 a 3h35", completou Mônica. Outros moradores da rua relataram ao TODODIA ligações de telefones celulares feitas entre 3h e 3h16 aos números 190 (Polícia Militar), 192 (Samu) e 193 (Corpo de Bombeiros).
Segundo o grupo, enquanto os militares não chegaram, vizinhos combatiam as chamas por conta própria. "Eu estourei o portão com pedaço de ferro e tentei chegar perto da porta da tapeçaria, mas estava muito quente", relatou Rafael. "Quando eles chegaram, veio só uma viatura com dois bombeiros e só um deles que trabalhou. O outro ficou de braços cruzados, olhando", reclamou Edson Barreira. "Eu cheguei a pegar a mangueira para combater o incêndio", completou Rafael.
O tapeceiro foi retirado de lá, segundo os vizinhos, por volta das 4h. "Ninguém aguentaria esse tempo aí dentro e ficava vivo", lamenta Ket Cristiani de Souza, 34. Indignada, ela disse que prestou uma queixa formal, ontem, no 16º Grupamento de Bombeiros de Americana reclamando da demora no atendimento.
Enquanto o TODODIA entrevistava os moradores, o capitão Daniel Afonso Scaranello, comandante do 3º Subgrupamento, e o tenente Alexandre José Rovay estiveram no local, ouviram as queixas dos vizinhos e tiraram fotos da fachada do imóvel incendiado. Durante a conversa, Scaranello afirmou que o tempo de resposta no deslocamento do Corpo de Bombeiros foi de cinco minutos. Questionado pela reportagem, ele disse não ter autorização da Assessoria de Imprensa do Corpo de Bombeiros, em São Paulo, para comentar o caso.
O TODODIA procurou a assessoria de imprensa via e-mail, conforme foi orientado pelo atendente do 193 de Americana, mas não houve resposta até o fechamento da edição.
Cronograma dos fatos, segundo vizinhos
2h58 | Primeira ligação da vizinha de Ailson, que acordou com os gritos de socorro do tapeceiro
3h30 a 3h35 | Chegada da viatura do Corpo de Bombeiros com dois únicos militares que atenderam a ocorrência
3h48 | Horário em que foi registrada a foto de Rafael, vizinho e empresário, combatendo as chamas com a mangueira do Corpo de Bombeiros
4h | Chegada da equipe de Resgate
4h05 | Ailson é retirado do local e encaminhado ao Hospital Municipal
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