Armando Baptista diz que não estava à espera de outra decisão e afirma que por detrás da acusação movida por Pedro Cardoso, ex-comandante, está o desejo deste voltar ao posto. Associação humanitária vai avançar com queixa em tribunal contra Pedro Cardoso




O comandante dos Bombeiros Voluntários de Azambuja, Armando Baptista, foi ilibado da acusação de alegada omissão de socorro à mulher do ex-comandante da unidade, Pedro Cardoso. Essa é a conclusão das investigações realizadas pela Autoridade Nacional de Protecção Civil, nomeadamente pela direcção nacional de auditoria e fiscalização. No parecer daquela unidade pode ler-se que “parece-nos afastada a possibilidade de estarmos perante factos que consubstanciem a prática de crime de omissão de auxílio”.

A situação ocorreu no dia 30 de Junho de 2015, quando a mulher do actual comandante operacional do Serviço Municipal de Protecção Civil, Pedro Cardoso, se sentiu mal em casa, a 100 metros do quartel, e pediu ajuda ao filho, bombeiro, que estava numa reunião no quartel, da qual saiu para acudir à mãe. Na altura, o caso foi relatado a O MIRANTE por Pedro Cardoso. “O meu filho ligou para o 112 que encaminhou a chamada para o CODU (Centro de Orientação de Doentes Urgentes). Para agilizar o socorro, ligou para o quartel e pediu à central que enviasse de imediato uma ambulância, informando que o CODU já estava avisado. Foi-lhe dito pelo centralista que ‘o comandante tinha dado ordem para rejeitar qualquer serviço enquanto não terminasse a referida reunião’”, explicou.

Perante esta decisão, Armando Baptista, que ao longo dos quatro meses em que decorreu a investigação optou por não se pronunciar, reagiu. “Não estava à espera de outra resposta. Lamento que Pedro Cardoso, comandante do quadro de honra, numa situação de dúvida, não tenha tido a frontalidade de me confrontar antes de ir para a praça pública”, frisou.

O comandante entende que há motivações pessoais por detrás da posição de Pedro Cardoso. “Ele esteve aqui 17 anos e chego à conclusão que eu, o novo comandante, sou persona non grata para ele. Acho que por trás disto está um desejo de voltar ao lugar que teve e fazer com que a minha missão aqui seja um insucesso. Devia ter noção de que o tempo dele já passou”, atirou.

Pedro Cardoso desmente. “Nego isso categoricamente, até porque se quisesse lá estar ainda estaria, porque saí voluntariamente e tinha mais três anos para lá poder estar”, afirmou.

Armando Baptista diz que toda esta situação o prejudicou pessoalmente. “Tenho um filho com 9 anos que lê os jornais e ficou afectado com isto, tal como eu”. Pedro Cardoso nega que a intenção seja pessoal. “Nunca houve intenção de prejudicar ninguém. O que quis foi que esta situação nunca mais voltasse a acontecer. De acordo com a decisão há muita coisa a corrigir pela associação”, ressalva, lançando o repto, “tanto ao comandante como à direcção, que divulguem na vitrina interna o documento inteiro”.

Já André Salema, presidente da associação de bombeiros, revela que vai recorrer aos tribunais. “A etapa seguinte será mover processos judiciais para repor o bom-nome da associação e do próprio comandante. O processo será contra o queixoso e estamos a avaliar outras questões, porque a vítima escreveu-nos com algumas acusações graves e quero vê-las esclarecidas”, referiu, garantindo que nunca perdeu a confiança no comandante.
fonte o mirante