Celifette Elucien, 38 anos, está há dois anos no Brasil e é o segundo haitiano a integrar a corporação

Celifette trabalha em uma empresa de vidros localizada no bairro Guamiranga, no segundo turno, e reserva as manhãs de quarta e sexta-feira para atuar como voluntário. Ele reflete a satisfação em se engajar no voluntariado (iniciativa que fazia no Haiti), a forma calorosa como foi acolhido no país e reforça a meta de trazer a família para cá.

Com boa desenvoltura ao se comunicar em Português, Celifette conta que veio da cidade de Gonaives, região de Artibonito, onde deixou a mulher e os filhos, de 13 e três anos de idade. Ele conta que no dia 12 de agosto de 2013 partiu do Haiti, de ônibus, rumo à República Dominicana, onde permaneceu por nove dias. Depois embarcou de avião até o Equador. Seguiu, novamente de ônibus, inicialmente para o Peru e finalmente ao Brasil, através da fronteira do Acre.

“Tinha o irmão Rosemond, de 24 anos, em Balneário Camboriú, mas não me adaptei na cidade. Quando acertei trabalhar lá, conheci o meu patrão daqui, Mauro Wagner, que me perguntou se queria trabalhar com ele. Comecei a trabalhar em 24 de setembro de 2013”, recorda. Ele mora com outros quatro funcionários haitianos em casa próximo à empresa.

O bombeiro, que tem como língua materna o crioulo e como língua oficial o francês, também domina o inglês e o espanhol, idioma que chegou a lecionar em seu país. Cursou contabilidade, informática e dois anos de Direito. “Lá a situação econômica é muito difícil. Vim para continuar meus estudos de Direito e quero trazer minha família. Em qualquer lugar que estiver, quero muito ajudar meu próximo”, declara o bombeiro, que é evangélico. “O povo brasileiro é bem receptivo. Muitas pessoas quando confirmo que sou haitiano, me abraçam e dizem ‘bem-vindo ao Brasil’. Isso me dá mais vontade de viver aqui.”

O comandante Maicon Rodrigo Ewald confirma que o grupamento soma 77 pessoas, dos quais 64 são voluntários. “Tenho muita admiração pelo Celifette e pelo Andre. Vir para um país desconhecido e querer ser voluntário! A dedicação deles é incrível, aprendem muito rápido. Recebemos de braços abertos”, assegura o comandante. 
fonte OCP