Atrasos nos repasses de recursos para custeio de programas de saúde podem acabar comprometendo outros setores da área na Capital Nacional do Chimarrão
Atrasos nos repasses de recursos para custeio de programas de saúde podem acabar comprometendo outros setores da área na Capital Nacional do Chimarrão


Atraso no repasse de de R$ 1,8 milhão de recursos do governo do Estado, ainda do governo Tarso Genro e agora, do governo Sartori, colocam em risco outras ações da saúde em Venâncio
O principal desafio de Venâncio Aires, hoje, é evitar o encerramento das atividades da ambulância de suporte avançado - equipada com UTI móvel - do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) que, tudo indica, deve deixar de circular no próximo dia 17, às 23h59min. São remotas as chances de o cenário ser revertido, já que o Governo do Estado não tem recursos para pagar vários meses de atraso relativos a repasses não efetuados, o que vai a cada dia deixando a situação ainda mais crítica.
No entanto, não é só o Samu avançado que corre riscos na cidade. Os repasses não efetuados pelo Governo do Estado podem comprometer, também, a manutenção dos postos de Estratégia de Saúde da Família (ESF), Unidade de Acolhimento (que trabalha com crianças e jovens entre 10 e 18 anos com dependência química), equipe de Saúde Prisional (lotada na Penitenciária Estadual e que conta com médico, enfermeiro, técnico em enfermagem e cirurgião dentista), ações do Programa Primeira Infância Melhor (PIM) e, segundo a Secretaria da Saúde, o de mais gravidade: a Unidade de Pronto Atendimento (UPA).
Conforme a secretária adjunta da pasta, Rosane da Rosa, dos cerca de R$ 400 mil que deveriam ser repassados para o Municípios todos os meses, R$ 225 mil, aproximadamente, são destinados à UPA e ao Samu (R$ 135 mil e R$ 90 mil, respectivamente). O restante dá suporte aos demais programas. Somente em 2015, o Estado tem em atraso com Venâncio Aires R$ 874 mil. A maior preocupação é com uma eventual sobrecarga ao sistema de atenção básica, caso a crise venha a atingir a UPA. 'Na próxima sexta-feira participaremos de uma reunião em Santa Cruz, na 13ª Coordenadoria Regional de Saúde, para tratar desses assuntos. Há uma preocupação geral na região por conta dos atrasos', reforça Rosane.
Não podemos esquecer que o funcionamento da UPA foi responsável pelo desafogamento do Plantão do hospital. Se a unidade for afetada, essa realidade pode voltar a ser verificada
ONCOLOGIA
A secretária adjunta revelou que os tratamentos de pacientes que foram diagnosticados com câncer estão começando somente após 120 dias, exatamente o dobro do tempo determinado em portaria do Ministério da Saúde, que obriga o atendimento em, no máximo, dois meses. 'É triste admitir isso, mas dependendo do caso, se a pessoa não tem condições de buscar um atendimento particular, pode morrer antes de iniciar o tratamento', lamenta. O encontro de sexta-feira, na 13ª CRS, servirá para os gestores dos hospitais Santa Cruz e Ana Nery - este último referência em Oncologia na região - apresentarem dados que demonstram as dificuldades enfrentadas atualmente. 'São casas de saúde que trabalham com alta complexidade e estão com seus tetos financeiros extrapolados', finaliza a secretária adjunta.
Procuradora fala em acionar o MP
A procuradora-geral do Município, Gisele Spies Chitolina, aponta que os atrasos nos repasses estão 'praticamente inviabilizando os municípios'. Ela não tem esperanças, por exemplo,

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que o Governo do Estado cumpra o parcelamento - a partir de 2016, em 24 ou 36 vezes - que propôs para quitar o débito relativo ao serviço da unidade avançada do Samu. 'Estão contando com um aumento na arrecadação de ICMS, mas pode saber que não vão conseguir cumprir', lamenta ela. A saída, a curto prazo, no entendimento da procuradora, é uma ajuda dos municípios que utilizam os serviços das ambulâncias do Samu que ficam na base de Venâncio Aires. 'Está na hora de todo mundo colaborar com um determinado valor para que possamos evitar o encerramento das atividades', suegere Gisele Chitolina.
 fonte folha do mate