Trajes que podem monitorar os sinais vitais e a localização dos bombeiros pode ajudar a evitar acidentes e fatalidades.
Bombeiros passam por estresse fisiológico extremo durante o atendimento de ocorrências. Em 2012, o U.S. Fire Administration reportou que cerca de 50% das mortes de bombeiros nos EUA foram devido a ataques cardíacos. O estudo realizado pela agência, denominado Firefighter Fatalities in the United States, identifica todas as fatalidades de bombeiros em serviço que ocorrem nos EUA e analisa as circunstâncias de cada ocorrência. Desta maneira, o estudo pretende ajudar a identificar abordagens que podem reduzir o número de mortes nos anos seguintes. Neste caso, o estudo identificou que quase metade das mortes ocorre devido ao excesso de estresse físico, que leva ao ataque cardíaco. “Enfrentamos o problema da desidratação excessiva” – diz o Cabo Wellyngton do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Paraná. “Quando combatemos um incêndio por mais de duas horas seguidas, há muito desgaste físico, pois a roupa é muito pesada. O rescaldo, que é a parte mais difícil do combate, deixa o ambiente ainda mais quente e causa muito desgaste. É necessário se reidratar muito para não desmaiar com a fadiga”.
“Enfrentamos o problema da desidratação excessiva.Quando combatemos um incêndio por mais de duas horas seguidas, há muito desgaste físico, pois a roupa é muito pesada.” -– diz o Cabo Wellyngton do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Paraná.
Tecnologia que salva quem salva vidas
É possível que monitores de sinais vitais vestíveis possam ajudar a evitar este tipo de fatalidade. A ideia é antiga, tanto que vários filmes de ficção já fizeram referências a estes sistemas. No entanto, por uma série de razões tecnológicas e econômicas, estes monitores ainda não foram implementados no dia a dia de quem trabalha em situações de risco. Somente com a recente redução nos custos e tamanho dos dispositivos portáteis é que algumas empresas tiraram os antigos projetos da gaveta e voltaram a trabalhar neste tipo de tecnologia.
Com isso em mente, uma equipe de engenheiros da Motorola imaginou um traje high-tech para bombeiros, parte de um protótipo conceitual chamado de Next Generation Fireground Communications. O traje incorpora várias tecnologias vestíveis, como uma câmera acoplada ao capacete, um display na máscara, um sensor ambiental, uma alça que monitora os sinais vitais, monitor de localização em ambientes fechados e um radio.
Traje inteligente do protótipo conceitual Next Generation Fireground Communications, da Motorola. O traje incorpora várias tecnologias vestíveis, como uma câmera acoplada ao capacete, um display na máscara, um sensor ambiental, uma alça que monitora os sinais vitais, monitor de localização em ambientes fechados e um radio.
Segundo o cabo Wellyngton, escombros e a falta de informação sobre o que está em combustão dificultam o combate eficiente ao incêndio. Com tais equipamentos, a facilidade de acesso, as informações e a segurança dos bombeiros seriam beneficiadas. Uma das principais preocupações da equipe da Motorola foi desenvolver dispositivos que pudessem manter os bombeiros com as mãos livres. Quando uma equipe entra num local, eles nunca estão de mãos vazias: carregam equipamento, ferramentas, etc. Além disso, o peso da roupa e do equipamento (por exemplo o EPR – equipamento de proteção respiratória) torna a própria locomoção mais difícil. Desta maneira, fica impossível pegar um smartphone no meio de um prédio em chamas para receber informações ou informar condição crítica de saúde.
“Como as luvas são grossas para proteção, é difícil realizar trabalhos com os dedos” – afirma o 1º Tenente Müller, do Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Paraná – “elas tiram muito a sensibilidade e a mobilidade, dificultando coisas simples como abrir pequenos objetos ou dar um nó com cordas, o que usamos bastante”.
Assim, a Motorola pensou num display na altura dos olhos que mostra quando os níveis de bateria, suprimentos de oxigênio ou mesmo seus batimentos cardíacos estão próximos de atingir níveis críticos. Um dos desafios é traçar um limite entre o que é
realmente necessário exibir no display e o que poderia atrapalhar a ação dos bombeiros durante situações de risco.
realmente necessário exibir no display e o que poderia atrapalhar a ação dos bombeiros durante situações de risco.
Monitoramento fisiológico
Um dos projetos pioneiros nessa área é o Wearable Advanced Sensor Platform (WASP)
(a tradução seria algo como “Plataforma de Sensores Vestível Avançada”), da Globe
Manufacturing Co. Considerando que os trajes dos bombeiros já são pesados o suficiente, a WASP é uma camiseta leve e resistente a fogo, feita de um tecido que elimina suor e outras substâncias da pele e seca rapidamente. Em uma alça ajustável embutida na camiseta, é acoplado o sensor fisiológico, chamado de The Zephyr BioHarness™. Trata-se de um pequeno módulo eletrônico capaz de medir a taxa de batimentos cardíacos e sua variação, a taxa de respiração, níveis de atividade, postura e outros fatores fisiológicos. Além disso, um cinto ainda carrega um módulo de localização, que fornece as informações de localização em 3D onde não há dados de GPS. Este módulo permite monitoração instantânea com rádios Motorola APX ou celulares que rodem Android.
(a tradução seria algo como “Plataforma de Sensores Vestível Avançada”), da Globe
Manufacturing Co. Considerando que os trajes dos bombeiros já são pesados o suficiente, a WASP é uma camiseta leve e resistente a fogo, feita de um tecido que elimina suor e outras substâncias da pele e seca rapidamente. Em uma alça ajustável embutida na camiseta, é acoplado o sensor fisiológico, chamado de The Zephyr BioHarness™. Trata-se de um pequeno módulo eletrônico capaz de medir a taxa de batimentos cardíacos e sua variação, a taxa de respiração, níveis de atividade, postura e outros fatores fisiológicos. Além disso, um cinto ainda carrega um módulo de localização, que fornece as informações de localização em 3D onde não há dados de GPS. Este módulo permite monitoração instantânea com rádios Motorola APX ou celulares que rodem Android.
A estação de comando recebe dados de transmissões instantâneas, ou pode carregar
dados da memória. Ela pode fornecer ferramentas para analisar rapidamente a resposta fisiológica do usuário em função do tempo, além de mostrar a localização e trajetória do usuário. Mark Mordecai, diretor de desenvolvimento da Globe, disse que na próxima temporada três academias de bombeiros testarão o sistema, e que dentro do próximo ano milhares de bombeiros estarão treinando com o WASP. Ele acrescenta: “Se nós realmente quisermos fazer a diferença, temos de ir além de apenas criar um envelope protetor ao redor dos bombeiros e realmente monitorar seus sinais vitais e suas localizações.”
dados da memória. Ela pode fornecer ferramentas para analisar rapidamente a resposta fisiológica do usuário em função do tempo, além de mostrar a localização e trajetória do usuário. Mark Mordecai, diretor de desenvolvimento da Globe, disse que na próxima temporada três academias de bombeiros testarão o sistema, e que dentro do próximo ano milhares de bombeiros estarão treinando com o WASP. Ele acrescenta: “Se nós realmente quisermos fazer a diferença, temos de ir além de apenas criar um envelope protetor ao redor dos bombeiros e realmente monitorar seus sinais vitais e suas localizações.”
Ainda levará um tempo para que estas tecnologias entrem efetivamente em cena para auxiliar bombeiros no combate a incêndios, desabamentos e outras situações de perigo. Mas num futuro próximo, sensores menores e mais precisos, juntamente ao treinamento e condicionamento físico, certamente garantirão que todos voltem para casa sãos e salvos. ■




1 Comments
Achei uma ótima idéia. ...em relação aos batimentos cardíacos. .
ResponderExcluirE se colocasse um sensor na roupa de aproximação. ..também seria legal. ..pois já existe no epr. ..que também é sensacional. ..
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