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O Ministério da Saúde confirmou ontem o cancelamento dos repasses para o custeio de Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) e Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) até o fim do ano, além de corte de 50% no repasse de valores referentes aos programas de atenção básica. O Governo Federal alega falta de dinheiro em caixa e promete colocar as contas em dia a partir de janeiro. Com o anúncio, os municípios brasileiros terão de raspar os cofres para tentarem manter os atendimentos à população.

A notícia surgiu como uma bomba para os gestores de Venâncio Aires, já que até o começo da tarde de ontem ainda era festejada a informação, vinda de Porto Alegre, de que o Governo do Estado iria quitar a partir de amanhã atrasados relativos à Saúde. Durante entrevista para a imprensa da Capital, o secretário estadual de Saúde, João Gabbardo dos Reis, garantiu que a pasta repassará dinheiro em aberto dos meses de setembro e outubro para aliviar os municípios. Gabbardo também afirmou que o Estado vai encontrar uma forma de pagar contas em aberto desde 2014, ainda da gestão de Tarso Genro (PT).

Se os dois anúncios se confirmarem, Venâncio contará, nos próximos dias, com depósito estadual de aproximadamente R$ 500 mil. Em contrapartida não terá à disposição cerca de R$ 374 mil da União (soma dos meses de novembro e dezembro) até o final do ano que seriam empregados para custeios de UPA e Samu. A secretária adjunta da Saúde de Venâncio, Rosane da Rosa, que ontem participava de reuniões em Porto Alegre, não escondeu a sua preocupação em relação ao assunto. 'Se realmente ocorrer isso (corte de repasses da União), estamos fritos', declarou. Rosane disse que não faz ideia de como o Município conseguirá manter os serviços em funcionamento, pois já estaria operando no seu limite


A secretária adjunta comentou que o Governo Federal já tinha alertado que provavelmente não teria condições de manter, em 2016, os repasses para os municípios que contam com UPAs. Porém, não esperava que a crise fosse se agravar ainda mais. 'As notícias até hoje (ontem) eram todas ruins. Aí, quando temos uma manifestação positiva do Governo do Estado, vem logo uma negativa da União. Cada dia é uma surpresa pior', lamentou ela. Rosane salientou ainda que o valor da atenção básica - repassado mensalmente pelo Governo Federal e que deverá chegar pela metade nos próximos dois meses - causará grandes dificuldades. 'É um valor expressivo, de cerca de R$ 150 mil mensais, que garante manutenção de vários programas. Esse dinheiro é sagrado, se não vier, não sei como será', argumentou.

'Garanto à população que a UPA não vai fechar'

O prefeito de Venâncio Aires, Airton Artus, ficou irritado ontem ao receber a informação dos cortes do Governo Federal. Lembrou que a manutenção da UPA gira em torno de R$ 430 mil e que ficará ainda mais complicada a 'ginástica' para manter o atendimento. No entanto, tratou de tranquilizar os venâncio-airenses: 'Garanto à população que a UPA não vai fechar. É uma conquista que tivemos e não vamos permitir que isso aconteça'. Médico, Artus afirma que não é possível que se dê um passo tão negativo em relação à rede de atenção básica da cidade. 'Se precisar, faremos uma revolução', avisou o gestor.


Estão querendo matar jacaré a botinada. É inacreditável essa situação, mas vamos até o limite para garantir o básico para a população

Notadamente indignado com a notícia vinda de Brasília, o chefe do Executivo Municipal sugere que que a União 'pedale' o pagamento de empreiteiras e bancos, ao invés de cortar os recursos da Saúde. 'Querem fechar o SUS? Eu realmente não estou acreditando nisso. Que cortem outras mordomias e pagamentos menos essenciais, mas tirar da Saúde é uma vergonha', disparou. Airton Artus declarou ainda que informações como esta desanimam as prefeituras, que diariamente colocam ser servidores em busca de saídas para a crise financeira. 'A gente luta para fechar as contas, paga contas que não eram nossas e ainda tem que ir até o limite para manter o básico. Tudo por conta deste desgoverno', finalizou ele
fonte folha do mate

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